Aprovados no TEP 2017:

- ALANA MARIA VASCONCELOS PARENTE

- ARON ISSAC SABINE PEREIRA BIRNBAUM

- GABRIELA FARIAS BARBOSA

- LIDIANE HELENA RODRIGUES SANTANA

- LORENA DE CARVALHO MONTE DE PRADA

- NICOLY SUELLY SOUZA ALMEIDA ACIOLY

- RUY MEDEIROS DE OLIVEIRA JUNIOR

 


Fechamento parcial de hospital infantil acende sinal de alerta no RN

Natal - Remunerao baixa, falta de valorizao profissional e a alta demanda de pacientes so alguns dos fatores que esto gerando uma crise na pediatria do Rio Grande do Norte. Faltam profissionais no mercado. A carncia pelo pediatra ficou mais evidente na ltima sexta-feira (22/4), quando o nico hospital estadual de referncia no atendimento infantil, o Maria Alice Fernandes, fechou a urgncia por falta de mdicos. A situao se estende s unidades privadas. Nesse domingo, a urgncia peditrica do Hospital e Maternidade Promater no funcionou por falta de profissionais. A Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Norte tem registrados 274 pediatras ativos em todo estado. A populao potiguar, entre 0 e 14 anos, de cerca de 700 mil pessoas, segundo as informaes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica (IBGE), o que resulta em uma mdia de 2.500 crianas para cada especialista do setor.

O presidente da sociedade de Pediatria, Nivaldo Sereno Noronha Jnior, afirma, no entanto, que no faltam pediatras. O que existiria, segundo ele, uma remunerao ruim no prprio consultrio e a desvalorizao do profissional. " Est tendo uma carncia de pediatras que atendam no consultrio, porque os planos de sade pagam em mdia R$ 34 por consulta com direito ao retorno.", aponta o mdico. Ele reclama das condies de trabalho - como no caso de Maria Alice Fernandes, que tinha 300 pacientes por dia para dois mdicos - e da remunerao paga pelo poder pblico. O municpio de Natal, por exemplo, paga a um pediatra R$ 600 por planto, enquanto o mesmo profissional, quando associado Cooperativa Mdica (Coopmed), recebe R$ 970.

Para Nivaldo, a situao crtica ao ponto de alguns hospitais terem leitos credenciados ao Sistema nico de Sade (SUS) e no funcionarem por falta de mdicos. A ausncia de profissionais no mercado resultado das prprias escolhas dos estudantes durante o curso de Medicina, que quase no esto optando pela pediatria. A situao se repete no restante do pas, como foi mostrado neste domingo pelo programa Fantstico, da Rede Globo. Em razo dos baixos salrios, os estudantes esto fugindo da residncia mdica em pediatria. "O nico lugar que no sobrou vagas foi no Hosped", diz o presidente da Associao de Pediatria do RN. Alm da Hospital Infantil da UFRN, atualmente existe residncia mdica no Hospital Maria Alice e no Varela Santiago.

Jozana do Rosrio de Moura Caetano, diretora geral do Hosped, ofereceu sete vagas para residncia em pediatria e todas foram preenchidas. Porm, no nega que esteja faltando pediatras no mercado e que, tanto no servio pblico como particular, as filas esto imensas. A unidade de referncia faz cerca de 4 mil atendimentos ambulatoriais em diversas especialidade e, entre mdicos e professores, so 45 profissionais. Mas, mesmo assim, precisa de mais mdicos. "H necessidade de pediatras especializados. Reumatologistas, temos poucos e psiquiatras tambm", alerta a diretora.

Maria Alice atender somente pacientes encaminhados

Quando conseguir completar a escala mdica e voltar a atender urgncias, o que ainda no tem data para acontecer, o Hospital Maria Alice Fernandes receber somente casos de urgncia e que sejam encaminhados por uam unidade de gerenciamento de vagas. O hospital que quiser mandar pacientes para l, precisar informar-se antes sobre a existncia de vagas. Antes de fechar as portas na ltima sexta, o hospital atendia 7.610 crianas por ms, sendo que, dessas, 48% podiam ser recebidas na rede bsica. O secretrio estadual de sade, Domcio Arruda, quer acabar com o atendimento de "portas abertas".

De acordo com a diretora mdica do Maria Alice, Tereza Cristina Urbano, a escala mdica para o funcionamento do hospital precisa ter 21 mdicos. Desde 2010 a unidade vem enfrentando problemas para montar o quadro de funcionamento dos pediatras. Dos seis chamados no final do ano passado, quatro pediram demisso do servio pblico e dois pediram reduo da carga horria de 40h para 20h semanais. A unidade encontra-se, pelo menos at iniciar o prximo ms, com um intensivista e um mdico de planto na enfermaria.

Apenas transferncias de casos graves esto sendo recebidas. Um aviso na porta do hospital avisa que a urgncia est fechada. O secretrio estadual de Sade avisou que vai convocar os mdicos do ltimo concurso e vai tentar que eles se apresentem antes do prazo mximo de 30 dias.

Demanda tambm maior que oferta na rea privada

O fechamento do Hospital Maria Alice Fernandes deixou os poucos hospitais que atendem urgncia infantil lotados. Na manh de ontem, das 7h s 10h, no Hospital Santa Catarina, 32 crianas tinham sido atendidas e vrias esperavam na recepo. Marta Gomes, que mora no bairro Nordeste, procurou o hospital porque o filho de seis anos estava com sintomas de virose. " Se eu for num posto de sade, vai demorar uma semana o atendimento", reclama a me. De acordo com uma tcnica de enfermagem, a quantidade de pacientes est muito elevada, tanto por causa do paralisao do servio no Maria Alice como pelo surto de dengue vivido na cidade. " A situao est insuportvel", declarou a servidora.

Mesmo que os pais tenham condies financeiras de pagar um plano de sade para os filhos ou um consulta particular, os transtornos no sero menores. No ltimo domingo a urgncia peditrica da Promater fechou por falta de mdicos. Nessa segunda, reabriu com dois no planto, assim como o Hospital Papi. J a Prontoclnica Paulo Gurgel tinha apenas um mdico na urgncia infantil. Segundo o presidente do Sindicato dos Mdicos, Geraldo Ferreira, a situao gravssima no setor privado.